sexta-feira, 5 de junho de 2009

Música de abertura: "Mulher Rendeira", por Volta Sêca. Arquivo de 1957, do Blog "MúsicAmiga".
Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores.


Agenda Junina de Recife

A Prefeitura da cidade de Recife e O Memorial Luiz Gonzaga comunicam sua programação para o mês de junho e convidam a todos para abrilhantarem os festejos.
Clique sobre as imagens para ampliá-las.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

I Seminário Cariri Cangaço

De 22 a 26 de Setembro de 2009
Crato, Juazeiro e Barbalha.

A PROGRAMAÇÃO DO I SEMINÁRIO CARIRI CANGAÇO, SERÁ CONCLUIDA ATÉ O FINAL DE MAIO. ENTRETANTO JÁ TEMOS CONFIRMADAS AS APRESENTAÇÕES DOS SEGUINTES PESQUISADORES E RESPECTIVAS PALESTRAS:

ALCINDO ALVES COSTA – ZÉ DE JULIÃO
ANILDOMÁ WILLIANS – LAMPIÃO: NEM HERÓI NEM BANDIDO
ANTONIO AMAURY CORREA ARAUJO - ANGICO
ANTONIO VILELA - CORONÉIS DISPUTAM PÉROLA DO CARIRI
HONÓRIO DE MEDEIROS – MASSILON
JOÃO DE SOUSA LIMA – AS MULHERES E O CANGAÇO
JAIRO LUIZ – O TURISMO E O CANGAÇO
JOSÉ PEIXOTO JUNIOR – OS MARCELINOS
KYDELMIR DANTAS – O REI DO CANGAÇO E O REI DO BAIÃO
LEANDRO CARDOSO FERNANDES – ANGICO
MAGÉRBIO LUCENA – EPOPÉIA DE MOSSORÓ
NAPOLEÃO TAVARES – LAMPIÃO EM JUAZEIRO DO NORTE
RUBERVÂNIO LIMA – LAMPIÃO, CANGAÇO E O CORDEL

sábado, 16 de maio de 2009

A Cruz dos Heróis

Clotilde Tavares (*)
Este texto foi publicado originalmente na Tribuna do Norte, de Natal, em 1999, depois que cheguei de uma viagem que fiz pelo interior do Rio Grande do Norte repetindo o trajeto que Luís da Câmara Cascudo fez em 1934 e que deu origem ao livro Viajando o Sertão. O link para essa viagem - a minha - é http://www.sertao.digi.com.br/

Muita história existe por aí por esse sertãozão. Já dizia o mestre Guimarães Rosa que o sertão é do tamanho do mundo, e vai ver que é mesmo. O meu caro leitor não imagina o que existe por aí por esse interior, para se conhecer, para se descobrir, para se entender.
Em Lucrecia (RN), pertinho da cidade, tem uma cruz plantada na beira da estrada com uma placa com o seguinte dístico: “A cruz dos três heróis. Francisco Canela, Sebastião Trajano e Bartolomeu Paulo sucumbiram neste lugar pelas mãos assassinas de Virgolino Lampião na destemida missão de liberdade de Egidio Dias da Cunha, em 12 de junho de 1927”.O lugar chama-se Caboré, e foi palco dessa sangrenta história que está lá todinha, muito bem contada no livro de Raul Fernandes “A Marcha de Lampião”.
A história é a seguinte: os cangaceiros, vindos do Ceará, entraram no Rio Grande do Norte com o intuito de invadir Mossoró. Pelo caminho assaltavam vilas e cidades, e faziam reféns para obter dinheiro. Um deles foi o fazendeiro Egidio Dias, pelo qual os bandoleiros estavam pedindo dez contos de réis.
Rapazes amigos da vítima, corajosos, temerários, mas inexperientes, resolveram ir enfrentar os cangaceiros e resgatar o refém. Tudo foi combinado enquanto estavam em um forró, após algumas doses.
É Raul Fernandes quem conta: “A rapaziada saiu despreocupada, em algazarra, estrada acima. Os cabras, emboscados no sítio Caboré, aguardavam que chegassem ao alcance de tiros certeiros. De súbito, ouve-se uma descarga, seguida de outra. Os da frente caíram varados de balas”.
Foram mortos cruelmente os três rapazes que encabeçavam a marcha. Os outros, ao ouvirem os tiros, se jogaram ao chão e rastejaram para dentro do mato, voltando bem mais tarde para recolher os corpos dos amigos.
Zé Maia, com quem conversei em Lucrécia, contemporâneo desses acontecimentos, complementa a história e dá detalhes: “Ajuntaram e foram com uma pistola velha, pau, um rifle velho, pra ir atrás de Lampião que tava com um bando de 60 homens. Quando iam conversando, pei-pei-pei, pei-pei-pei, aí Lampião apontou. Dois caíram logo e o tal do Bartolomeu tinha chegado há pouco tempo, era um primo da gente, do exército, um rapaz novo, dizem que ele atirou com a arma de fogo, dizem até que ele matou um, mas os cangaceiros pegaram ele, cortaram os braços, regetaram as pernas, furaram os olhos, destamparam a cabeça, ficou um bagaço. Aí falam que Lampião disse: - Um homem daquele não era pra nós ter matado não, era pra nós ter conduzido ele.”
Quanto ao refém, conseguiu fugir, aproveitando-se de uma distração dos bandidos. Raul Fernandes conta que Egídio Dias “desata, com os dentes, o nó da corda. Tira o paletó e a camisa. Arruma as vestes no chão e coloca o chapéu, no lugar da cabeça, de modo a simular sua presença”. Egídio Dias foi o único prisioneiro a conseguir escapar de Lampião.
“Força de reza, minha filha!” confidenciou-me Rita Cesária, mulher de Zé Maia. “Foi a mulher dele que rezou, reza forte. Chegou em casa muito judiado, muito maltratado, mas escapou. Força de reza.”
E quem sou eu pra duvidar?

(*) Sócia da SBEC. Saiba mais sobre Clotilde Tavares AQUI.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Livro "O Asa Branca da Paz"

José Fábio da Mota
O Asa Branca da Paz
Kydelmir Dantas (*)

Um misto de admiração, respeito e amor pela vida e obra do Rei do Baião foi o que levou o Padre Fábio Mota a juntar seus artigos e publicar este trabalho, com o título supra-citado.
São escritos de exaltação ao universo Gonzagueano, que vão desde uma visita a Exu (PE), berço natal de LUIZ GONZAGA, e segue em frente, passando pela união de seus pais e pelo encontro com os principais parceiros, culminando com as veiculações nos jornais CORREIO DA SEMANA e O NOROESTE, ambos de Sobral (CE), onde reside - e pastoreia seu rebanho - o autor. Um trabalho sério de referência à obra do grande músico, compositor e menestrel nordestino, que teve a devida aprovação de Chiquinha Gonzaga - irmã do Lua - e demais familiares.
A cronologia de vida do Luiz Gonzaga é um dos pontos altos deste livro, publicado pelo autor, com o apoio da Universidade Estadual Vale do Acaraú, em dezembro de 2001. Um opúsculo de 43 páginas. Para os colecionadores e admiradores do nosso REI DO BAIÃO, é um trabalho que não pode faltar nas suas bibliotecas.

FORMA DE ADQUIRIR:
VALOR: R$ 10,00
BANCO DO BRASIL
AG. 0085 - X
C/C 36.622 - 6
Enviar a xerox do comprovante de depósito, nome e endereço do depositante por e-mail, para
fabiomota1977@hotmail.com

(*) Sócio da SBEC.

Presidente da SBEC é Agraciado Pela ALC

O Presidente em Exercício da SBEC, Sr. Ângelo Osmiro Barreto, recebeu homenagem aprovada em Plenário pela Assembléia Legislativa do Ceará.
Veja, abaixo, o teor do documento encaminhado ao nosso Presidente (clique sobre a imagem para ampliá-la).

terça-feira, 12 de maio de 2009

VII Encontro Nordestino de Xaxado

A Fundação Cultural Cabras de Lampião / Ponto de Cultura Artes do Cangaço – incentivada pelo FUNCULTURA/FUNDAR (PE) - SECRETARIA DE EDUCAÇÃO/GOVERNO DE PERNAMBUCO realiza o VII ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO, nos dias 05, 06 e 07 de Junho de 2009, na busca de fortalecer a identidade cultural e manter viva a história do homem sertanejo. A Terra de Lampião é o local que será palco deste memorável evento, que fará o sertão estremecer e a poeira subir, reunindo cangaceiros dos mais distantes rincões do Nordeste.

PROGRAMAÇÃO

05 de Junho de 2009 (sexta-feira)

09 horas:

Apresentações na Área de Alimentação da Feira Livre:
· Grupo Artefatos – Moreno/PE.
· Grupo de Xaxado Maria Bonita – Serra Talhada/PE.

15 horas:

· Exibição do filme CORISCO – O DIABO LOIRO, no Museu do Cangaço.

18h30min:

· Desfile dos grupos de xaxado – saindo do Patamar da Igreja de Nossa Senhora da Penha - pelas principais ruas da cidade.
· Abertura solene.

20 horas:

· Grupo Cangaceiros de Paulo Afonso - Paulo Afonso/BA.
· Grupo Peneirou Xerém – Aracajú/SE.
· Grupo de Danças Gilvan Santos - Serra Talhada/PE.
· Grupo de Xaxado Cabras de Lampião - Serra Talhada – PE.
· Grupo Bandoleiros do Sertão – Triunfo/PB.
· Grupo Artefatos – Moreno/PE.
· Apresentação Musical com Os Vilarim.

06 de junho de 2009 (sábado)

09 horas:

· Exibição do Documentário LAMPIÃO – DO HOMEM AO MITO, no Museu do Cangaço.

10 horas:

- Mesa Redonda “LAMPIÃO – SEU LEGADO NA CULTURA” com Adriano Marcena, Dierson Ribeiro, Giovanni Sá e Dolores Moreira, no Museu do Cangaço.

15 horas:

Forró no Palhoção da Estação com Forró Pé de Serra Talhada/Andanças.

19h30min:

· Grupo Manoel Messias – Serra Talhada/PE.
· Grupo Peneirou Xerém – Aracajú/SE.
· Grupo de Xaxado Maria Bonita – Serra Talhada/PE.
· Associação Paulo-Afonsina de Danças e Teatro – Paulo Afonso/BA.
· Grupo Bando de Lampião – Touros/RN.
· Grupo de Xaxado Cangaceiros do Sertão – Santarém/PB.
· Apresentação Musical com Epitácio Pessoa.
· Apresentação Musical com Humberto Cellus e Produto Nordestino.

07 de junho de 2009 (domingo)

09 horas:

· Passeio Ecológico/Histórico NAS PEGADAS DE LAMPIÃO, no Sítio Passagem das Pedras, onde nasceu Lampião.

10 horas:

· Forró no Clube da Fazenda São Miguel.

16 horas:

· Exibição do documentário LAMPIÃO, UMA HISTÓRIA DE AMOR E SANGUE, no Museu do Cangaço.

19h30min:

· Grupo de Danças Bom Jesus - Serra Talhada/PE.
· Grupo de Xaxado Luiz Pedro – Triunfo/PE.
· Grupo Pegadas de Lampião – Santa Terezinha/PB.
· Grupo de Xaxado Maria Bonita – Umarí/CE.
· Grupo Filhos do Sertão – Patos/PB.
· Apresentação Musical com Assisão e a Banda Nêga Fogosa.

Durante a programação, haverá:

· Feira de livros e cordéis.
· Feira de artesanato.
· Área de Alimentação.
· Barracas de bebidas.
· Parques de diversões.Visitação aos pontos turísticos da cidade: museus, igrejas, praças, mercado público, serra que deu origem ao nome da cidade, feira livre.

Maiores informações:
Fundação Cultural Cabras de Lampião
Ponto de Cultura Artes do Cangaço
Serra Talhada – PE.
(87) 3831 2041 / 9938 6035 / 9616 1959
E-mail:
Site:
INCENTIVO:

segunda-feira, 4 de maio de 2009

I Seminário Cariri Cangaço

A seguir, a programação prévia (passível de alteração) para o I Seminário CARIRI CANGAÇO – Lampião no Ceará, Verdades e Mentiras, a ser realizado no triangulo Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, de 23 a 26 de setembro de 2009.

1. A Religiosidade no Cangaço e a Visita de Lampião a Juazeiro – Napoleão Tavares Neves, de Barbalha (CE);
2. A Medicina no Cangaço - Leandro Cardoso, de Teresina (PI);
3. Os Marcelinos – Margébio de Lucena, de Crato (CE);
4. A Vida de Lampião – Anildomá Willians de Souza, de Serra Talhada (PE);
5. Lampião e Padre Cícero – Kyldemir Dantas, de Mossoró (RN);
6. Massilon – Honório de Medeiros de Natal (RN);
7. O Estranho Mundo do Cangaço – Antônio Vilela, de Garanhuns (PE);
8. Maria Bonita – João de Sousa Lima, de Paulo Afonso (BA);
9. Angico - Aderbal Nogueira, de Fortaleza (CE) e
10. O Turismo e o Cangaço - Jairo Oliveira, de Piranhas (AL).

Está prevista ainda visitação a pontos históricos do Cariri relativos ao cangaço, além de oficinas de Xaxado, cordel e xilogravura
.

sábado, 25 de abril de 2009

A Pistola Parabellum No Imaginário Popular

Aurelino Fábio Carvalho Costa (*)

Um estudo pseudo-psicológico

Em matéria de indústria e comércio, com o passar dos anos, algumas marcas escaparam da simples condição de objetos e passaram a ser sinônimos da classe de produtos a que elas pertencem (no Brasil são bem conhecidos exemplos típicos disso, como certa marca de cerveja, ou uma lâmina de barbear que designam respectivamente estes produtos). Outras ainda conseguem ultrapassar esta já importante condição de marcos sinalizadores, e chegam à condição de legítima lenda, se tornando em objetos de desejo, símbolo de status social, econômico, ou sinônimo de bom gosto (Freud explica?).
Entre as armas de fogo, esta nuance da psique humana também está presente. Assim teremos as armas mais caras, dignas de marajás indianos com apliques em ouro, prata, marfim, cheias de trabalho artesanal, feitas por encomenda em maisons tradicionais (como as espingardas da Holland & Holland), ou em afamados armeiros custom. Objetos cuja função social e psicológica mais compreensível, é a de demonstrarem socialmente a opulência, a riqueza, e o requinte (ou até o extremo mau gosto a depender do caso) de seu possuidor. Bem como as feitas de maneira descuidada, com materiais inferiores, de pouca tecnologia, próprias para as classes menos favorecidas e despojadas materialmente, chegando algumas a ser também marcos ou sinônimos de coisa ruim, de baixa qualidade.
Mas há outras que apesar de feitas em seqüência industrial, com acabamentos absolutamente normais entram para este rol seleto das “lendas de aço”, unicamente pelo apelo popular, ou pelas suas boas características técnicas de confiabilidade, ou pela construção cuidadosa (apesar de puramente comercial). Assim poderíamos citar as Mauser C-96 (chamadas de "mausa caixa de pau" por causa do seu coldre/coronha), as Colt 1911, as pistolas da FN, e dentre dezenas de modelos e fábricas que não citaríamos por ser enfadonho, a arma que agora nos ocupa, baseada na pistola Borchardt C-93 modificada e melhorada por Georg Luger, e transformada na pistola D.W.M. Parabellum em 1900 (conhecida também como Luger por causa do desenhista).
A temida e desejada pistola Parabellum entra na história oficial do Brasil em 1906, com um contrato do Governo Brasileiro com a firma D.W.M. - Deutsche Waffen und Munitionsfabriken (Sociedade Alemã de Armas e Munições), sendo encomendado naquela feita 5.000 pistolas em calibre 7,65mm Parabellum, com capacidade de 8 cartuchos, segunda trava de segurança na empunhadura, sem engate de coronha e cano de 4 3/4", e acabamento esmerado com oxidação brilhante de um lindo tom azul veludo.
Era a virada do século XX, sendo isso por si só bastante apelo comercial, técnico, e psicológico, pois as pistolas “automáticas” (1) significavam a última palavra, afinal o debute do automatismo em armas portáteis era bem recente (iniciado com a experimental pistola Schönberger, em 1892), como vantagens visíveis portavam mais munição, e eram mais rápidas no tiro que os tradicionais revólveres. Temos talvez aí a primeira das pistas de seu sucesso subjetivo na cultura popular: a modernidade que representavam.
O potente e veloz, mas pouco eficaz em poder de parada, calibre 7,65 mm Parabellum, é logo seguido por um 9 mm mais eficaz já em 1902, e embora armas neste calibre não tenham sido adotadas pelo governo federal do Brasil (mas ao que parece a polícia da Bahia na época comprou algumas Lugers em calibre 9 mm Parabellum, e talvez outras, embora a falta de documentos de época seja um entrave a pesquisa séria), os civis sim, estes usavam muito estas armas em 9 mm, sendo as poucas 7,65 mm vistas em mãos de colecionadores nacionais eminentemente militares. Temos aí a segunda pista do seu sucesso centenário: Poder, tanto o poder subjetivo, o de usar a mesma arma que os representantes do governo usavam (tanto o federal representado pelo Exército Nacional, ou os estaduais representados pelas suas tropas policiais “volantes”), quanto ao poder palpável, real, obtido pela força dos disparos dos cartuchos dos calibres 7,65 mm e 9 mm Parabellum, mais potentes que os dos revólveres em uso corrente entre policiais e cangaceiros da época. Isso se fixou no imaginário popular como quase um axioma, que um disparo da Parabellum podia furar um trilho de trem, “olho de enxada”, apesar da excelente penetração que estas armas tinham, isso é um grande exagero, sendo desmentido até por testes práticos de uma revista de armas anos atrás.
Misturando-se a tudo isto, ainda temos a mítica do desenho, a empunhadura (cabo) possuía uma curva sinuosa, sensual, quase feminina, garantindo a ergonomia de uma pega adequada a mão do atirador, poucas vezes conseguida, mas muito imitada em outras armas. A própria exótica operação com o manejo do ferrolho subindo (o nome técnico de ação de joelho - ou “toggle-joint action” já diz tudo), mais o preço elevado da arma, pela cuidadosa fabricação e acabamento (mais um item adicionado à lista: status, riqueza), bem como a quantidade de modelos e opções, e estava feita em parte a receita do sucesso e da popularidade deste tipo.
Os diversos modelos da Luger puderam ser vistos em mãos de todo tipo de gente, popularizou-se entre policiais e cangaceiros, que depois de 1930 usavam os modelos 1906 e 1908 – sendo que a pistola que Lampião usava quando foi morto era uma Parabellum P-08 de 9 mm (mas antes disso ao que parece, usava uma em 7,65 mm, e exigia toda a munição desse tipo que encontrasse). Essa Parabelum 9 mm de Lampião segundo dizem, foi comprada pelo mesmo na cidade de Capela no estado de Sergipe, em 1929 na casa comercial de Jackson Alves de Carvalho, sendo aparentemente a mesma arma que foi encontrada com ele em seu fim trágico em Angico [aliás na famosa foto das cabeças cortadas (foto aqui) pode-se contar nada mais nada menos do que 7 pistolas Parabellum, sendo bem visível uma do mod. 1906, as outras menos visíveis pois estão coldreadas].
Também na famosa foto posada do chefe de bando Chico Pereira (reproduzida ao lado), homem de posses e intelecto acima do bandoleiro comum, um tanto fidalgo até) está bem visível na cintura dele uma enorme pistola Parabellum do mod. de artilharia de 1917 (com cano de 20 cm de comprimento, contra os de 10 cm das mais habituais P-08, este tipo foi usado pelos serventes da artilharia do exército do Kaiser alemão na Primeira guerra mundial, daí seu nome), inusual por estas paragens, embora em entrevista há muitos anos com um ex-jagunço dizia ele que haviam muitas Lugers de cano longo pelo sul da Bahia. Ainda sobre personagens que usaram as Parabellum, os Coronéis, seus jagunços e pistoleiros de aluguel também a apreciaram, tendo chegado ao meu conhecimento pelas divertidas estórias do meu finado Tio Zeca, que lá pelos anos 40 trabalhou na fazenda de um rico fazendeiro na fronteira da Bahia/Minas Gerais. Ele me contou que na casa da sede tinham caixas fechadas com dezenas de carabinas Winchester e 8 pistolas Parabellum, além de outras armas curtas! Para economizar tempo na hora de limpar eles simplesmente jogavam óleo por cima e fechavam a caixa, bem como a popular e hilária estória de um camarada que ao ir à casa de uma “mulher da vida” em Bom Jesus da Lapa (BA), guardou a pedido da desconfiada “moça” que o “atendia”, a sua Parabellum num Bocapiu (sacola de palha)... que não tinha fundo... Ao cair no chão a arma (que por certo como diz o povo estava com “bala na agulha”) começou a disparar sozinha até ficar sem munição (típico defeito de pistolas, numa peça chamada fiador), ambos ficaram agachados num canto do quartinho da “moça”, agarrados e muito assustados, já se isso foi verdade é outro caso...
Mas a realidade técnica longe do mito é bem outra. A bem dizer a Luger em parte não justificava a sua boa reputação (mundial, pois foi arma de coldre padrão de dezenas de nações, lutou nas duas guerras mundiais, e é uma das mais procuradas por colecionadores até os dias de hoje), sim, de fato é uma arma precisa, mas por causa de seu desenho peculiar era cara de se manufaturar, tolerava poucas variações nas cargas dos cartuchos, tinha muitas peças pequenas, era bastante sensível à poeira, gelo e lama encontráveis em quase todo teatro de operações, pois o mecanismo não é coberto por inteiro, o seu carregador tinha tendências a encravar no 2º cartucho por causa da inclinação da mesa elevadora e da mola fraca, e o 1º era muito duro de se introduzir manualmente, mesmo assim foi um tremendo sucesso de vendas.
Mas em nossas terras longe de tecnismos, a fama da lendária pistola corria de norte a sul, notadamente no Nordeste das primeiras décadas do século XX, onde entrou sorrateira no imaginário popular (o famoso Parabelo) como uma das estrelas principais de uma época tão difícil de medo e violência: O ciclo do Cangaço.
Debutou num ambiente onde a falta de esperança no futuro e na justiça transformava por vezes a apatia em revolta, em mote da vingança. Numa terra de homens e mulheres destruídos moralmente e materialmente pela pobreza e pela fome (há relatos de vendas de pessoas e até macabras histórias de canibalismo), onde a tragédia humana da seca diuturna, que fazia as caveiras dos animais branqueando no pasto inexistente, rir com suas mandíbulas desencaixadas, lembrando aos homens que os seus natimortos, os menores, e os seus mais velhos em breve os seguiriam na jornada da qual não se volta. A política e o poder asfixiante dos coronéis, a grilagem de terra, a imensidão das caatingas sem lei, a pretensa liberdade dos bandoleiros, e isso tudo num caldeirão social em ebulição, permeado por fanáticos. Creio modestamente que a junção destes fatores contribuiu para que o mito da Parabellum se perpetuasse como uma arma potente e bela, símbolo de status social, instrumento de morte precisa e de poder. Poder esse que era ao mesmo tempo opressor e transformador, pois se a Parabellum era a arma dos odiados volantes e coronéis, também era a do “Capitão” Virgulino Ferreira e dos cangaceiros.
Os projéteis das Parabellum, rápidos como o vôo do carcará, e mortais como a cascavel, percorreram os ambientes hostis (tanto o natural como o social) das caatingas, e suas histórias como arma coadjuvante nas mãos de homens que primaram pelo heroísmo, traição ou covardia, mantidas pela tradição oral, chegaram aos nossos dias fascinando os pesquisadores modernos, que evidentemente tem de peneirar o joio do trigo.

(1) Na verdade pistolas são armas semi-automáticas, esta incorreção se perpetua até hoje tanto no meio popular como na mídia pouco técnica.

(*) Baiano, radicado em São Paulo. Pesquisador e especialista em armas de fogo.

Ângelo Osmiro Assume Presidência da SBEC


Tendo em vista o pedido de afastamento, por motivos particulares, do presidente efetivo, Sr. Paulo Gastão, o Vice-presidente, Sr. Ângelo Osmiro Barreto, assume, em caráter de interinidade, a Presidência da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço.
Transcrevemos, a seguir, carta enviada pelo novo Presidente aos seus confrades.

Caros amigos,

Tendo assumido aos 31 dias de março de 2009, oficialmente, a missão de presidir os trabalhos da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC), suprindo a lacuna deixada pelo então presidente eleito Dr. Paulo Medeiros Gastão, quando de sua solicitação de afastamento por motivos de saúde, oportunamente vos saúdo.

Envio esta carta aos confrades e demais pesquisadores e interessados nos diversos temas que gravitam em torno do objeto-foco ao qual nos dedicamos, qual seja, o Cangaço, com o escopo de convocá-los, mais ainda, conclamá-los a contribuir com sugestões e críticas, a fim de identificarmos os anseios de todos e, aproveitando a ocasião mais do que propícia, empreendermos esforços almejando melhor conhecer os membros que compõem o nosso microcosmo.

Buscando dar continuidade ao trabalho que vinha sendo desenvolvido, sem descurar, evidentemente, do aperfeiçoamento daquilo que possível for, solicito aos amigos a máxima colaboração possível, informando sobre a realização de eventos, novas publicações, ou quaisquer outras notícias que possam interessar ao grupo.

Os meios disponíveis para a consecução de nosso objetivo inicial são o blog (
http://sbec-mossoro.blogspot.com), área disponível para recados, ou através do e-mail (aob63@bol.com.br).

Por fim, conto com a colaboração de todos, esperando, outrossim, sucesso nessa nova empreitada.

Grato pela atenção,

Ângelo Osmiro Barreto
Presidente em exercício da SBEC

Museu do Cangaço - Serra Talhada (PE)

Vista de Serra Talhada - Matriz

O MUSEU DO CANGAÇO/CEPEC (Centro de Estudos e Pesquisa do Cangaço) em Serra Talhada, Terra de Lampião e Capital do Xaxado, ganhou novas instalações. Agora funciona na Estação do Forró (Antiga Estação Ferroviária). É uma estrutura mais ampla, estrategicamente melhor localizada para visitação e o acervo foi alargado com mais fotografias, objetos e utensílios da época, área de leitura e espaço pra exibição de filmes e documentários, loja de artesanatos regionais, informatizada...
O MUSEU DO CANGAÇO/CEPEC é coordenado pela Fundação Cultural Cabras de Lampião/Ponto de Cultura Artes do Cangaço.
O MUSEU DO CANGAÇO/CEPEC é cadastrado no IPHAN/Sistema Brasileiro de Museus.
Serviço:
Horário de visitas - de segunda a sexta-feira: das 8 as 12 h e das 13:30h às 17h.
Nos finais de semana e feriados: quando agendados.
Veja outros eventos no blog :

MUSEU DO CANGAÇO/CEPEC
FUNDAÇÃO CULTURAL CABRAS DE LAMPIÃO
PONTO DE CULTURA
ARTES DO CANGAÇO
Serra Talhada/PE
Tel.: (87) 3831 2041 / 9938 603